Belém,

Lançamento em Rio Branco

LANÇAMENTO DO FÓRUM EM RIO BRANCO

REDD e Povos da Floresta

 

Representantes de organizações de seringueiros, indígenas e agricultores familiares do Acre reuniram-se dias 12 e 13 de agosto em Rio Branco para o seminário REDD e Povos da Floresta, organizado pelo Fórum Amazônia Sustentável, uma coalizão de 185 entidades civis de todo o Brasil. O evento ajudou a capacitar parcela importante das populações tradicionais da Amazônia para o debate internacional sobre a Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação (REDD). O mecanismo deverá ser definido este ano na Conferência do Clima em Copenhague (COP 15) e poderá constar como uma das estratégias do novo acordo climático global para ajudar a conter as emissões de gases do efeito estufa.

Devido aos serviços ambientais prestados ao clima global (manutenção de matas nativas, água e biodiversidade), os povos da floresta também deverão ser os beneficiários de um futuro mecanismo de REDD. O tema é de interesse do Brasil, pois o país detém as maiores extensões de florestas tropicais nativas do mundo. O REDD pode significar recursos financeiros para ajudar a manter os modos de vida tradicionais e projetos de desenvolvimento sustentável para as comunidades que vivem na Amazônia.

“Se a sobrevivência da floresta está em jogo, a nossa também está. Por isso, queremos uma posição clara por parte governo brasileiro sobre o REDD, mas que beneficie o povos das florestas”, defende o líder Júlio Barbosa, do Conselho Nacional dos Seringueiros (CNS). Segundo ele, o Brasil pode liderar o debate mundial sobre o tema, incluindo os povos tradicionais nas discussões.  “Temos milhares de comunidades e as maiores extensões florestais nos trópicos. Podemos pautar as discussões internacionais”, afirma Júlio.

“Já somos muito prejudicados com o desmatamento e seremos ainda mais afetados com a prováveis alterações climáticas e seus efeitos sobre a floresta”, alerta Rubens Gomes, do Grupo de Trabalho Amazônico (GTA). Por outro lado, lembra ele, os povos tradicionais que vivem na Amazônia também são responsáveis pela preservação de milhões de hectares de mata nativa na região.

As florestas localizadas em terras indígenas e reservas extrativistas na Amazônia brasileira estocam cerca de 15 bilhões de toneladas de carbono, conforme estudo do Instituto de Pesquisa da Amazônia (IPAM). Isso equivale a 30% dos 47 bilhões de toneladas de carbono que, calcula-se, estão fixadas nas florestas da região.

 

Articulação nacional

O evento em Rio Branco serviu para apresentar o Fórum Amazônia Sustentável a mais uma capital amazônica e para reunir representantes de ONGs, institutos de pesquisa, universidades, governo, empresas privadas e povos da floresta. De fato, a discussão marcou a segunda etapa de uma articulação nacional que o Fórum está promovendo com os setores envolvidos com o desenvolvimento amazônico e a questão climática.

A primeira fase envolveu a elaboração conjunta de uma Carta de Princípios sobre REDD entregue aos Ministros do Meio Ambiente, Ciência e Tecnologia e Relações Exteriores na semana passada com o objetivo de influir na posição oficial do Brasil em Copenhague.

Segundo Beto Veríssimo, do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), o REDD é uma ideia ainda em aperfeiçoamento, mas que ajudará a diminuir o desmate. Por isso, interessa a todos os segmentos.

“A articulação nacional é a contribuição do Fórum para subsidiar a decisão oficial do Brasil no debate climático”, esclarece Adriana Ramos, do Instituto Socioambiental (ISA). Segundo ela, qualquer perspectiva de desenvolvimento sustentável para a Amazônia precisa incluir os diversos segmentos da sociedade.

Durante o evento, o governador Binho Marques (PT/AC) anunciou um programa estadual de incentivo ao pagamento por serviços ambientais destinado a reduzir as emissões de gases do efeito estufa. A medida deverá beneficiar populações tradicionais, assentados e fazendeiros que ajudam a preservar a floresta amazônica.

O evento  reuniu  254 pessoas e teve repercussão nacional, com 32 inserções na mídia local e nacional. Destaque para Agência Brasil, Agência Estado, Valor Econômico e Agência de Notícias do Acre. 

Acesso à relatoria do evento: http://www.forumamazoniasustentavel.org.br/v5/arquivosdb/162314relatoria_lancamento_acre.pdf





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