Belém,

Eleições 2010

 

MARINA SILVA CUMPRE SABATINA DO FÓRUM AMAZÔNIA SUSTENTÁVEL EM MANAUS

Manaus (14.8.10) - O debate com a candidata a presidência Marina Silva (PV) reuniu cerca de 250 pessoas na Universidade Federal do Amazonas, na manhã deste sábado, 14, em Manaus, durante o evento Amazônia e Eleições 2010 organizado pelo Fórum Amazônia Sustentável. Foi o segundo encontro da série que começou no dia 13 de julho, em Belém, com o candidato Plínio Arruda (PSOL). As sabatinas são transmitidas ao vivo pela internet. Pela rede, os eleitores também puderam enviar perguntas aos candidatos. O evento em Manaus teve um pool de sites de notícias para a transmissão, que contou com cerca de 2.000 acessos de todo o Brasil.


Participaram o site o ECO, o Blog do Planeta/Revista Época, A Crítica Online, Amazônia.ORG e Fórum Amazônia Sustentável. Marina Silva recebeu cerca de 60 perguntas dos internautas e cerca de 50 perguntas dos participantes da sabatina. Entre os temas debatidos, desenvolvimento, infraestrutura, código florestal, tecnologia e política externa entre os países amazônicos.


Ao responder, a candidata do PV disse que “o país precisa de um plano de infraestrutura. O PAC é um sistema de gestão e não um plano de governo”. Segundo ela, algumas obras são prioritárias e outras não. Ela citou o caso da usina hidrelétrica de Belo Monte e da BR 319 (Manaus-Porto Velho). Para ela, além de não ser importante para a economia da região, a rodovia teria alto custo socioambiental. Ao se referir a Belo Monte, disse que, além de ser inviável economicamente, a obra vai contra os interesses dos indígenas que serão afetados pela construção da barragem. Ainda sobre os povos indígenas, Marina Silva afirmou que não é necessário abrir mão de ser uma economia próspera para proteger os índios. “Podemos fazer as duas coisas", disse.


Marina defendeu que o desenvolvimento sustentável da região deve ser uma prioridade. Frisou que a questão não é de falta de recursos – ao se referir aos cerca de R$ 80 bilhões dados ao BNDES para socorrer empresas durante o governo Lula –, mas de prioridade. Sobre a Zona Franca de Manaus, Marina disse que é necessário manter o projeto e ampliar os recursos para que a economia da região não esteja lastreada apenas pelo uso dos recursos da floresta. Disse ainda que todos que moram na região têm que ter um benefício pela exploração dos recursos do local. A candidata reforçou que o turismo na Amazônia precisa de incentivos, mas que o setor “não pode ser apropriado por apenas alguns setores”.


Florestas
Marina Silva cobrou dos demais candidatos à presidência uma posição mais clara sobre o Código Florestal, cuja proposta de alteração desagradou frontalmente os ambientalistas. Sua posição é contra o relatório de Aldo Rebelo, em apreciação na Câmara dos Deputados. “A proposta do Código que está aí é um retrocesso”, afirmou. Segundo ela, há condições hoje no Brasil de aumentar produtividade e liberar área para outras atividades produtivas, sem que seja necessário incentivar o desmatamento. Bastaria, segundo ela, o governo disponibilizar tecnologia e assistência técnica para adequação dos produtores. Marina disse também que a anistia aos desmatadores embutida na proposta de alteração do Código não pode ser aceita. Para ela, a gestão de florestas públicas deverá ser uma das prioridades em seu governo, caso eleita.


Vizinhos amazônicos
Apesar de reconhecer o que ela chamou de ‘avanços’ no governo Lula, Marina Silva criticou os posicionamentos ambíguos do Brasil em relação ao conflito entre Colômbia e Venezuela. Ao se alinhar ideologicamente com a Venezuela, o governo brasileiro se desqualifica para tentar intermediar o conflito entre os dois vizinhos, conforme a candidata. Para ela, esse tipo de alinhamento ideológico também se mostra no caso do apoio do Brasil ao Irã, país que segundo ela desrespeita os direitos humanos e tem interesses obscuros em relação ao uso da energia nuclear.


Serra e Dilma
José Serra (PSDB) adiou pela segunda vez sua participação em debate que aconteceria em Belém. e Dilma Roussef (PT) ainda não definiu a data para participação.  “Estamos aguardando a confirmação desses candidatos para concluir os debates que servirão para que os presidenciáveis esclareçam o que eles querem para o futuro da Amazônia e que tipo de desenvolvimento desejam implementar para colocar a região na perspectiva da sustentabilidade”, disse Adalberto Veríssimo, do Imazon, e mediador dos debates pelo Fórum.

 

Regras dos eventos
Organizada pela Comissão Executiva do Fórum Amazônia Sustentável, Amazônia e as Eleições 2010 é uma série de encontros individuais de caráter suprapartidário com os principais candidatos à Presidência da República. Os eventos ocorrerão em importantes cidades da região, conforme disponibilidade de agenda dos candidatos.


Os debates são abertos aos associados e convidados do Fórum, jornalistas e representantes partidários. Associados terão prioridade, portanto, demais convidados necessitam confirmar presença o mais breve possível. Por se tratar de encontros para a discussão estrita de ideias para o desenvolvimento da Amazônia, o Fórum não permitirá nenhuma forma de campanha política ou exibição de faixas e cartazes pró ou contra os candidatos.


Cada evento terá duração de duas horas, com a seguinte distribuição de tempo: 40 minutos para o candidato expor sua visão sobre os grandes desafios para a Amazônia e apresentar plataforma de governo; 60 minutos para o candidato responder perguntas escritas, moderadas por representante da Comissão Executiva do Fórum, e 20 minutos para considerações finais do candidato. Não haverá espaço para fala de outros candidatos, nem citação de nomes de autoridades ou candidatos presentes.


O evento será transmitido ao vivo, direto da página do Fórum na internet. Além das perguntas que podem ser encaminhadas desde já pela internet, o Fórum distribuirá formulário de perguntas durante o evento. As perguntas serão submetidas a uma triagem com o objetivo de organizar os temas. Perguntas não respondidas serão encaminhadas à assessoria do candidato e as respostas disponibilizadas no site do Fórum.
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Sobre o Fórum Amazônia Sustentável
O Fórum Amazônia Sustentável foi fundado em Belém (PA) em novembro de 2007 como resultado de um longo processo de diálogo iniciado em abril do mesmo ano sob a liderança do Instituto Ethos e de 40 outras organizações. Atualmente, a organização conta com 212 associados. O objetivo do Fórum é discutir e elaborar uma agenda para a promoção do desenvolvimento sustentável na Amazônia. Para isso, cria espaços de debate para envolver pessoas de diversos segmentos e prioriza a formação de uma cultura em favor da sustentabilidade.
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